Morreu nesta sexta-feira (5), no Hospital Universitário de Londrina, o vereador João Luiz Pinheiro Francisco, de 45 anos e comerciante de Guaraqueçaba, vítima de um brutal ataque ocorrido na Ilha das Peças. Ele estava internado desde o último dia 26 de abril, quando sofreu queimaduras em aproximadamente 75% do corpo após ser incendiado por um homem de 49 anos.
O caso aconteceu por volta das 18h40, em uma mercearia onde a vítima trabalhava e que fica localizada na comunidade. Segundo as investigações, o autor chegou ao estabelecimento apresentando sinais de embriaguez e carregando um recipiente com combustível.
De acordo com testemunhas, o suspeito se aproximou do vereador, despejou gasolina sobre seu corpo e, em seguida, ateou fogo. Mesmo gravemente ferido, a vítima tentou apagar as chamas jogando-se na areia.
Moradores da região prestaram os primeiros socorros e realizaram o transporte da vítima em uma embarcação particular até um trapiche na área central de Paranaguá. No local, familiares aguardavam para encaminhá-lo ao Hospital Regional do Litoral (HRL), onde ele deu entrada em estado crítico.
Quando a Polícia Militar chegou à unidade hospitalar, foi informada pela equipe médica que o paciente apresentava queimaduras em cerca de 75% do corpo, encontrando-se inconsciente, entubado e sob cuidados intensivos.
Após dias de internação e luta pela vida, o vereador não resistiu aos ferimentos e morreu nesta sexta-feira (5), no Hospital Universitário de Londrina, para onde havia sido transferido em razão da gravidade do quadro clínico.
Investigação
A Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito que apurou o caso, inicialmente tratado como tentativa de homicídio. Com a confirmação da morte da vítima, o crime deverá ser reclassificado para homicídio consumado.
Segundo o delegado Emmanuel Lucas Moura, responsável pelas investigações, ficou comprovado que o ataque foi premeditado.
“O investigado se aproximou portando uma garrafa com combustível, despejou o líquido sobre o corpo da vítima e ateou fogo”, explicou o delegado.
Logo após o crime, o suspeito tentou fugir. Inicialmente, informações apontavam que ele deixaria a Ilha das Peças em direção a Pontal do Paraná por embarcação. No entanto, ele acabou sendo localizado e preso em flagrante pela Polícia Militar pouco tempo depois.
Encaminhado à delegacia, o homem foi autuado e posteriormente teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.
Durante o interrogatório, o investigado alegou ter cometido o crime por conta de um suposto delito praticado pela vítima contra sua filha. Entretanto, essa versão foi descartada pela Polícia Civil durante a investigação.
Motivação do crime
Conforme apurado pela PCPR, a motivação do ataque estaria relacionada a desentendimentos envolvendo uma embarcação utilizada pelo suspeito para trabalho na região.
O barco era frequentemente deixado de forma irregular na faixa de areia da comunidade, situação que gerava reclamações de moradores. Como vereador, a vítima atuava na intermediação do conflito e buscava soluções para o problema.
Testemunhas ouvidas pela polícia relataram que o investigado demonstrava insatisfação com a situação havia algum tempo.
Além disso, ele teria permanecido diversas vezes nas proximidades da mercearia no dia do crime, observando a movimentação antes de executar o ataque.
A Polícia Civil encaminhou o inquérito ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as providências cabíveis. O suspeito permanece preso preventivamente à disposição da Justiça.
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