Guaratuba registrou 357 casos de violência doméstica no primeiro semestre de 2026, segundo dados repassados ao Portal da Cidade pela Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp). O número representa um crescimento de 10,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 323 ocorrências. Ao longo de todo o ano passado, foram 660 registros.
São 34 registros a mais entre janeiro e junho deste ano. A média mensal passou de aproximadamente 53,8 ocorrências no primeiro semestre de 2025 para 59,5 em 2026. Considerados os 181 dias dos primeiros seis meses do ano, Guaratuba registrou, em média, praticamente dois casos de violência doméstica por dia.
Os números dão dimensão aos desafios discutidos durante o Agosto Lilás, mês nacional de proteção à mulher e de conscientização para o fim da violência contra as mulheres. Neste ano, a mobilização ocorre em um momento simbólico: a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), principal norma jurídica no Brasil para coibir, prevenir e punir a violência doméstica e familiar contra a mulher, completou 20 anos em 7 de agosto. O Agosto Lilás foi instituído nacionalmente pela Lei nº 14.448/2022 e prevê ações de conscientização sobre as diferentes formas de violência, os direitos das mulheres, os mecanismos de proteção e os canais de atendimento.
Casos recentes mostram diferentes formas de violência
Por trás das centenas de registros estão situações que, na maioria das vezes, permanecem restritas às vítimas, familiares e órgãos que integram a rede de atendimento. Alguns dos episódios ocorridos em Guaratuba ao longo de 2026, no entanto, tornaram-se públicos por meio das forças de segurança.
Em 28 de janeiro, a Polícia Civil prendeu em flagrante uma mulher suspeita de agredir a própria companheira no bairro Cohapar. A vítima apresentava ferimentos no rosto, na boca e na orelha, segundo a PCPR. A ocorrência foi registrada como lesão corporal no contexto de violência doméstica e familiar.
Outro episódio, registrado poucos dias depois, em 17 fevereiro, no bairro Piçarras, mostrou uma situação ainda mais delicada: a continuidade das ameaças mesmo depois de a mulher já ter buscado proteção judicial. Segundo a Polícia Militar, um homem foi até a residência da ex-esposa apesar de possuir uma medida protetiva que impedia a aproximação. Ele estava com duas facas e ameaçou a vítima de morte.
Em 14 de abril, uma mulher grávida procurou a Guarda Municipal durante patrulhamento no bairro Coroados. Ela relatou ter sido agredida e expulsa de casa pelo companheiro. Conforme a ocorrência, ele também teria destruído pertences da vítima, impedido a retirada de objetos pessoais e vendido o celular dela. A mulher manifestou interesse em representar contra o homem e solicitar medidas protetivas.
Os episódios mostram também que a violência doméstica não se limita à agressão física. Ela pode aparecer associada a ameaças, intimidação, perseguição, controle e destruição ou retenção de bens, entre outras formas de violência reconhecidas pela legislação.
Fonte: Portal Cidade de Guaratuba






