Uma promessa de amor e de uma nova vida levou um pedreiro de 49 anos a percorrer mais de 2 mil quilômetros de ônibus para encontrar uma mulher com quem acreditava manter um relacionamento pela internet. A história de Edimar Rocha Martins terminou de forma inesperada em Belo Horizonte, Minas Gerais, quando ele descobriu que a suposta companheira, conhecida como Jéssica, era uma personagem criada por inteligência artificial (IA).
Morador de Imperatriz, no Maranhão, Edimar embarcou na sexta-feira (9) e chegou à capital mineira no domingo (11), após mais de 36 horas de viagem. Segundo relatos publicados por veículos de comunicação nacionais, ele acreditava que encontraria a mulher e começaria uma nova etapa da vida ao lado dela em uma fazenda.
A personagem aparecia em vídeos nas redes sociais com o nome de Jéssica Oliveira, também conhecida como Jessica Fazendeira. Nas publicações, ela se apresentava como proprietária de uma fazenda e convidava homens a se mudarem para o local, prometendo companhia, conforto e até sustento financeiro.
Promessas de uma vida a dois
Edimar contou que começou a acompanhar os vídeos e a conversar com o perfil por meio de plataformas como Kwai e Facebook. As respostas recebidas reforçaram a impressão de que existia uma mulher interessada em conhecê-lo pessoalmente.
Em uma das mensagens divulgadas pela imprensa, a suposta Jéssica dizia que ele poderia morar com ela na fazenda. Convencido pela possibilidade de construir uma vida a dois, o pedreiro decidiu viajar, mesmo sem ter um endereço confirmado para o encontro.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, repercutida por outros veículos, Edimar explicou que a solidão teve influência na decisão. Ele relatou que a morte da mãe mudou sua relação com a cidade onde morava e aumentou o desejo de recomeçar em outro lugar.
“Às vezes, uma solidão dentro de casa acaba trazendo muito transtorno na vida da gente. Por isso que eu vim atrás dela”, afirmou, conforme publicado pela imprensa.
Descoberta em Belo Horizonte
Ao chegar a Belo Horizonte, Edimar tentou localizar a mulher, mas não conseguiu encontrá-la. Ele chegou a procurar ajuda de um repórter da Rádio Itatiaia para avisar à suposta companheira que já estava na cidade.
Foi nesse momento que descobriu que as imagens e os vídeos usados no perfil haviam sido produzidos com inteligência artificial. A mulher com quem acreditava conversar não correspondia a uma pessoa real identificável por trás daquela identidade digital.
O perfil utiliza recursos tecnológicos para criar uma personagem com aparência, voz e expressões humanas, tornando os conteúdos convincentes para quem os acompanha. A conta atribuída a Jéssica reunia mais de 300 mil seguidores no TikTok, segundo reportagens publicadas sobre o caso.
Prefeitura ofereceu assistência
Sem recursos suficientes para resolver a situação por conta própria, Edimar procurou o serviço de acolhimento a migrantes da Prefeitura de Belo Horizonte. O município ofereceu atendimento, alimentação e estrutura para higiene pessoal, além de providenciar uma passagem de ônibus.
Em vez de retornar diretamente a Imperatriz, o pedreiro decidiu seguir para Augustinópolis, no Tocantins, estado onde nasceu.
O caso ganhou repercussão nacional e levantou questionamentos sobre o uso de imagens e vídeos gerados por inteligência artificial para criar perfis capazes de simular relacionamentos e despertar a confiança de usuários.






