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Poluição, luz solar e atmosfera: o que muda a cor do céu

17/12/2025
em Geral
Foto: Daniel Castellano/SEDEST

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O céu em tons de laranja, vermelho e amarelo costuma chamar mais atenção no outono e no inverno, especialmente em áreas urbanas. No entanto, o fenômeno também ocorre durante a primavera — e até no verão — sempre que determinadas condições atmosféricas estão presentes.

A intensidade dessas cores no pôr do sol está relacionada, principalmente, ao percurso que a luz solar faz na atmosfera em determinados horários do dia, à presença de partículas em suspensão no ar e, em alguns casos, à ocorrência de inversão térmica, que pode acontecer em qualquer estação do ano.

Como a luz do sol forma as cores do céu

As cores observadas no céu fazem parte do espectro visível da luz solar. Ondas mais curtas, como o azul e o violeta, se dispersam com mais facilidade na atmosfera ao longo do dia, especialmente entre o meio da manhã e o meio da tarde, quando o sol está mais alto. Por isso, o céu azul é mais perceptível nesses períodos.

No início da manhã e no fim da tarde, o caminho percorrido pela luz solar é mais longo. Nesse trajeto, as ondas curtas são dispersadas para longe da linha de visão do observador, enquanto as ondas mais longas — como o vermelho, o laranja e o amarelo — conseguem atravessar a atmosfera e chegar aos olhos.

“A luz azul e violeta é praticamente toda espalhada. Já a luz vermelha, laranja e amarela atravessa com mais facilidade. A presença de poluição, poeira e outros aerossóis pode intensificar esses tons durante o amanhecer e o entardecer”, explica Fernando Mendes, meteorologista do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

Primavera também pode registrar inversão térmica

Embora seja mais associada aos meses frios, a inversão térmica não é um fenômeno exclusivo do outono e do inverno. Na primavera, determinadas condições meteorológicas — como noites mais estáveis, ausência de vento e variações rápidas de temperatura — também podem favorecer sua ocorrência.

A inversão térmica acontece quando uma camada de ar mais quente se posiciona acima de uma camada de ar frio próxima ao solo, impedindo a dispersão de poluentes. “Esse bloqueio faz com que partículas e gases fiquem concentrados nas camadas mais baixas da atmosfera, o que pode influenciar tanto a qualidade do ar quanto a coloração do céu”, afirma Mendes.

Impactos na qualidade do ar e na saúde

As áreas urbanas e regiões metropolitanas são as mais afetadas por esse acúmulo de poluentes. Tráfego intenso, atividades industriais, obras e queimadas contribuem para a presença de material particulado e compostos gasosos na atmosfera.

“A poluição do ar pode causar ou agravar problemas respiratórios, cardiovasculares e outras doenças, especialmente quando há dias consecutivos com pouca dispersão dos poluentes”, alerta o meteorologista.

Primavera exige atenção para incêndios florestais

Outro fator que influencia a aparência do céu na primavera é a fumaça proveniente de incêndios florestais. Com períodos de estiagem e vegetação ainda se recuperando do inverno, o risco de queimadas aumenta em algumas regiões.

“A fumaça pode ser transportada por longas distâncias. As partículas de carbono deixam o céu acinzentado, escuro, muitas vezes semelhante a um dia nublado. Visualmente, é difícil diferenciar fumaça de nuvens, o que exige análise detalhada por satélite”, explica Mendes.

Monitoramento em tempo real com tecnologia

Há dez anos, o Simepar opera a plataforma VFogo, desenvolvida para o monitoramento de focos de calor em tempo real. O sistema integra dados do próprio Simepar, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Nasa e de diversos satélites de agências europeias e norte-americanas, alguns com atualização a cada dez minutos.

A plataforma utiliza sensoriamento remoto de alta resolução, processamento de grandes volumes de dados geoespaciais (Big Data) e modelos matemáticos baseados em técnicas de inteligência artificial.

Em 2025, até o momento, o VFogo identificou 258 focos de calor no Paraná. Em 2024, foram 2.704 registros. Em 2023, 1.439; em 2022, 1.778; e em 2021, 3.701.

Nem todo foco de calor é incêndio

É importante destacar que a identificação de um foco de calor não significa, necessariamente, a ocorrência de um incêndio. Quando um foco suspeito é detectado, a Defesa Civil e o Simepar acionam o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), que realiza a verificação em campo.

Segundo dados do CBMPR, os incêndios florestais responderam por 10,8% de todos os atendimentos realizados pela corporação em 2024. Foram 13.558 ocorrências no total, um aumento de 109% em relação a 2023, quando houve 6.484 registros.

Com informações do SIMEPAR

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