Uma grande força-tarefa envolvendo a Polícia Civil do Paraná (PCPR), a Polícia Militar do Paraná (PMPR) e a Força Nacional deflagrou nesta terça-feira (02) a Operação Soberania, com o objetivo de desarticular integrantes de uma organização criminosa responsável por atuar como um verdadeiro “tribunal do crime” em Paranaguá.
As investigações apontam que o grupo criminoso era responsável por julgar, condenar e executar pessoas consideradas inimigas da facção ou suspeitas de colaborar com grupos rivais envolvidos no tráfico de drogas. As ações policiais ocorreram principalmente na Ilha dos Valadares e no bairro Porto dos Padres, locais apontados como áreas de atuação dos investigados.
Mandados cumpridos e confronto durante a operação
Ao todo, foram expedidas pela Justiça 10 ordens judiciais, sendo quatro mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão.
De acordo com o balanço preliminar divulgado pelas forças de segurança, foram cumpridos:
• Três mandados de prisão preventiva;
• Uma prisão em flagrante por tráfico de drogas;
• Apreensão de materiais de interesse para a investigação;
• Um suspeito morto durante confronto com a Polícia Militar.
Segundo as autoridades, durante o cumprimento de um dos mandados de busca e apreensão, um dos alvos reagiu à abordagem e efetuou disparos contra os policiais. Revidando a injusta agressão, a equipe policial atirou contra o suspeito que acabou morrendo no local.
Adolescente foi morto após gesto feito em jogo online
As investigações revelaram detalhes que demonstram o grau de violência imposto pela organização criminosa.
Um dos casos apurados envolve o desaparecimento de um adolescente de 17 anos, ocorrido em 17 de março deste ano. Conforme a investigação, o jovem foi atraído para fora da Praça do Araçá e colocado à força dentro de um veículo. Quatro dias depois, em 21 de março, o corpo foi encontrado na Ilha dos Valadares.
Segundo as investigações, o adolescente teria sido “condenado” pelo grupo criminoso após ser visto realizando, durante partidas de jogos online, gestos interpretados pelos criminosos como símbolos de uma facção rival.
Casal sequestrado em bar e executado em manguezal
Outro crime atribuído ao grupo ocorreu em 24 de abril, quando um casal foi sequestrado em um bar na Ilha dos Valadares.
As vítimas foram obrigadas a entrar em um táxi e levadas até uma viela da região. Em seguida, foram transportadas de barco para uma área de manguezal, onde acabaram executadas.
Os corpos foram encontrados dois dias depois, em 26 de abril, com mãos e pés amarrados e apresentando diversos disparos na região da cabeça.
Segundo as investigações, os criminosos acusavam o casal de ser “cagueta”, expressão utilizada no meio criminoso para se referir a supostos delatores.
De acordo com a Polícia Civil, os investigados mantinham uma estrutura de julgamento clandestino semelhante aos chamados “tribunais do crime”, prática comum em organizações criminosas que buscam controlar territórios dominados pelo tráfico de drogas.
As vítimas eram acusadas de colaborar com facções rivais, fornecer informações às autoridades ou descumprir regras impostas pelo grupo. Após a chamada “sentença”, os alvos eram sequestrados, torturados e executados. As forças de segurança destacaram que a Operação Soberania representa mais um passo no enfrentamento ao crime organizado no litoral paranaense.





